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DESCUBRA O "GORONGOSA"…

16.06.12 | Mari Ortiz

Gorongosa é uma vila da província de Sofala, em Moçambique. É também o nome do primeiro e mais conhecido parque de Moçambique: o Parque Nacional da Gorongosa.

Dizem que o nome de Gorongosa foi atribuído pela gente que se instalou na serra da Gorongosa em busca de sobrevivência no século passado. Algumas delas perderam a vida de forma misteriosa quando tentaram subir ao cimo. Por isso, o lugar passou a ser considerado perigoso e a designar-se “Kuguru Kuna N’gozi”, que quer dizer “lá no cimo há perigo”. Mais tarde, o nome foi aportuguesado para "Gorongosa".

O Parque Nacional da Gorongosa é um dos maiores projetos de restauração na África Austral. Esforços extraordinários estão a ser entregues para recuperar a população animal, evitar as sistemáticas matanças, pois um expressivo número de animais selvagens quase desapareceram.

 

Henrique Galvão, em 1948, escreveu em seu livro “Ronda de África”: "Em todos os percursos se pode admirar as multidões de antílopes em corrida ou em alertas estatuários, as manadas portentosas de búfalos, as fugas destrambelhadas dos macacos, as galopadas das zebras - e, com frequência, levantar leões das suas camas, surpreender leopardos, ouvir os elefantes na sua faina de lenhadores e ver os hipopótamos em concentração que é decerto a mais densa e numerosa do mundo."

Naquele tempo, a Gorongosa não era bem um éden de vida selvagem. Começou por ser uma reserva de caça de administradores da Companhia de Moçambique. Em 1941, finda a concessão, o Governo colonial tentou banir as caçadas e criar uma estância turística. Só em 1960 a declarou parque nacional. No final dos anos 1960, a equipa do ecologista sul-africano Kenneth Tinley fez a primeira contagem aérea: 200 leões, 2200 elefantes, 14 mil búfalos, 5500 bois-cavalos, três mil zebras, 3500 pivas, duas mil impalas, 3500 hipopótamos.

À Gorongosa vinha gente de muito lado. Não só pela quantidade de animais. Também pela beleza paisagística. Depois, vieram as guerras. A primeira, a da independência, poupou a reserva; a segunda, a civil, não. Nos últimos anos de confrontos, muita gente abandonou a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), refugiando-se dentro do parque. Havia quem caçasse só para comer, mas também quem caçasse para extrair o marfim aos elefantes e trocá-lo por armas. As maiores matanças aconteceram entre 1992 e 1994, em um descontrole total. Populações de animais de grande porte estavam reduzidas a 10% ou menos.

Quando o Governo e a Carr Foundation combinaram o grande desafio de restaurar a Gorongosa, em 2004, muita gente foi envolvida: cientistas, engenheiros, gestores, fiscais. Mesmo dezenas de ex-combatentes foram contratados. O próprio criador da Carr Foundation, o milionário norte-americano Greg Carr, decidiu investir 40 milhões de dólares (cerca de 32 milhões de euro ou 82 milhões de reais) na restauração da Gorongosa.

A equipa delineou um plano para recuperar fauna bravia, reconstruir infraestruturas, fomentar o desenvolvimento econômico. Criou-se um santuário de vida animal. No início, búfalos do Kruger Park (África do Sul). E os búfalos abriram caminho aos elefantes. Houve outras aparatosas reintroduções de animais selvagens: 180 bois-cavalos; mais 132 búfalos; 5 hipopótamos; 4 chitas...

E não se pode pensar na preservação da fauna bravia sem integrar a flora ou os rios. E ainda a melhoria das condições de vida das populações locais, de modo a que façam parte integrante do ambicioso projeto.

 

Assim, com muito empenho, o Parque Nacional da Gorongosa volta ao seu esplendor exuberante, com um ecossistema muito variado e muito bonito… Rápida e positivamente a natureza responde. No vale, capim polvilhado de acácias altas, diversos gêneros de savana, florestas secas, charcos. Na serra, florestas tropicais, capim de montanha, floresta de galeria. E os animais em seu próprio reino! Daqui a 20 e tal anos, quando já forem muitos no parque, então as comunidades poderão caçar, mas de forma organizada.

O legendário Parque foi filmado pela "National Geographic" a fim de ser feito um documentário intitulado “Africa’s Lost Eden”, que conta a história desses esforços de revitalização desse paraíso selvagem. O documentário acabou por ser considerado um dos melhores filmes no gênero, recebendo diversos prêmios.

O vídeo abaixo, em uma belíssima edição, mostra um pouco desse documentário.

Fonte: http://fugas.publico.pt
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