Os portugueses estão a ler cada vez mais jornais de papel, apesar do forte crescimento de consumo de Internet como meio de comunicação, revela esta quarta-feira um estudo nacional sobre a imprensa.
«Embora 61 por cento do tempo dedicado ao consumo de meios seja já feito na Internet, a presença diária do meios tradicionais mantém-se, com tendência crescente de consumo», conclui o estudo «Observatório News» da Novadir.
A televisão é o meio que continua a ter maior número de utilizadores diários (98 por cento), com destaque para o fim-de-semana, seguida imediatamente pela rádio (77 por cento), com particular expressão durante a semana.
De acordo com os dados divulgados, os jornais apresentam-se como o terceiro meio privilegiado de consumo, com 66 por cento dos portugueses a afirmar que lêem jornais, independentemente da sua periodicidade.
Destes, 37 por cento afirmam mesmo ler mais jornais actualmente do que há dois anos atrás, sendo os homens os que apresentam maior afinidade com este suporte.
Internet ganha expressão durante a semana
Ainda assim, os jornais apresentam um menor número de utilizadores diários do que a Internet.
«Apesar de continuarmos a assistir ao crescimento dos canais de comunicação 'tradicionais', verificamos que os chamados new media começam a ganhar uma importância acrescida: a Internet, que surge no nosso país apenas em meados da década de 80, assume uma penetração de consumo regular de 61 por cento», indica o estudo.
É durante a semana que a Internet ganha mais expressão, sendo que cerca de 75 por cento dos seus utilizadores confessam recorrer mais este meio do que há dois anos.
Quanto às revistas, que ainda há pouco tempo apresentavam níveis de consumo semelhantes aos dos jornais, ocupam agora o 5º lugar, com menos de metade dos entrevistados a referir que lê revistas de forma regular e 20 por cento a afirmar que lê menos do que há dois anos.
Outra conclusão apresentada pelo estudo diz respeito ao elevado conhecimento que os portugueses têm dos títulos dos jornais.
O estudo salienta, contudo, que os elevados níveis de notoriedade não significam altos índices de leitura ou compra, já que apenas 27 por cento se afirmam leitores regulares de jornais generalistas, principalmente de títulos «pagos» - 82 por cento lêem-nos, mas apenas 47 por cento os compram.
Outros indicadores a salientar são, por um lado, a tendência de alguns indivíduos para ler vários títulos simultaneamente e, por outro, a existência de leitores que lêem em exclusivo as publicações gratuitas.
«Num mercado crescente dos títulos gratuitos, 29 por cento referem que nunca tinham lido jornais antes do aparecimento dos gratuitos, o que pode indiciar a importância destes títulos na estimulação de leitura de jornais», especifica o estudo.
Em termos de hábitos de leitura, a compra continua a ser o principal meio de acesso aos títulos pagos, embora perto de 50 por cento dos leitores destes diários afirme que os lê de forma gratuita, nomeadamente em cafés ou no local de trabalho.
A manhã é o período de eleição para a leitura dos diários, com os gratuitos a surgirem mais associados aos transportes, escola e trabalho.
O tempo de leitura também varia de acordo com a segmentação do título: em média são dedicados 45 minutos à leitura de jornais e revistas, sendo esta média consideravelmente mais baixa na leitura dos gratuitos e mais elevada nos semanais.
Para os entrevistados, os aspectos mais valorizados num jornal são a credibilidade e a facilidade de leitura, sendo o grafismo e a facilidade de manuseamento os aspectos menos valorizados.
Fonte: Diário IOL