HOJE DESCOBRI...O FENÓMENO DAS HORTAS URBANAS QUE CADA VEZ MAIS CONQUISTAM TERRENO EM PORTUGAL
Couves com fartura para todos.
Imaginem-se canteiros repletos de pés de cenoura, alface e beterraba na acinzentada paisagem da metrópole. Parece um cenário edílico mas as hortas urbanas são uma realidade e um fenómeno em crescimento, inspirando a população citadina a boas práticas ambientais, para além de requalificarem os espaços urbanos e contribuírem para projectos de inclusão social.
Não sendo um fenómeno recente em Portugal, as hortas urbanas, enquanto parte integrante da paisagem nas imediações das grandes cidades, começam agora a ganhar novos adeptos.
Com origem em grande parte na migração rural, estas hortas foram nascendo do improviso e da vontade de ocupar o tempo mas, actualmente, começam a ser encaradas pelas autarquias como forma de intervenção ao nível da sustentabilidade do meio ambiente ao possibilitar a proliferação dos espaços verdes, a renovação da paisagem urbana e ao reduzir as emissões do sector dos transportes. Estes espaços constituem também locais de formação de crianças e jovens que começam desde cedo a valorizar a produção nacional e a desenvolver uma consciência ambiental.
Num plano mais abrangente, dominado pela crise do combustível e perante a eventual escassez de determinados alimentos, esta tendência ganha ainda mais força vindo ao encontro de alguns adeptos das hortas urbanas entre nós. Já nos anos 80, o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles defendia a importância destas hortas apontando alguns exemplos do que já há muito se fazia lá fora, em especial nos países da Europa do Norte, região que viu nascer este conceito. Mas para que as hortas urbanas se imponham enquanto fenómeno social não basta a boa vontade individual, terão que ser as autarquias a promover incentivos dando origem a projectos municipais. É que não está em causa apenas o acesso a novos terrenos. O acesso à agua para rega, a protecção ao roubo e ao vandalismo são também desafios que se colocam e aos quais é necessário dar resposta. Manuela Raposo Magalhães, arquitecta paisagista e professora do Instituto Superior de Agronomia vai mais longe e defende mesmo a integração das hortas urbanas nos PDM "para criar as condições e agilizar o licenciamento destas actividades".
É neste contexto que assistimos ao nascimento de novos espaços comunitários por todo o país.
Nesta matéria, Lisboa assume-se com uma aposta clara tendo apresentado um plano que prevê, a par do melhoramento das já conhecidas hortas da Quinta da Granja, Vale Fundão e Bairro Padre Cruz, a criação de hortas novas em Campolide e Telheiras. Ainda em Lisboa, merecem igualmente destaque dois projectos que têm ambos lugar na Alta de Lisboa. Um deles levado a cabo pela Escola 34 que transformou um matagal numa horta graças ao envolvimento de pais, professores e alunos que vêem nascer produtos que vão parar directamente à mesa, promovendo desta forma uma alimentação mais saudável. Com outro âmbito mas também na Alta de Lisboa, poderá vir a nascer uma horta comunitária resultado do empenho pessoal do arquitecto paisagista Jorge Cancela, que vê neste projecto uma forma de fortalecimento comunitário ao permitir aproximar moradores realojados das pessoas que escolheram aquele bairro para viver.
Mais a Norte, as referências vão para o projecto "Horta à Porta" (ver caixa) no Grande Porto que conta já com 12 espaços comunitários para cultivo biológico e tem mais de 700 pessoas em lista de espera; Em resposta à crise, Maia viu nascer a primeira horta de subsistência da região do Porto, podendo candidatar-se desempregados ou pessoas que declarem baixos rendimentos. Já Ponte de Lima apostou nas hortas urbanas como instrumento de educação ambiental e alimentar. Outras cidades, como Coimbra (ver caixa) e Funchal, disponibilizaram espaços verdes camarários para o cultivo de pequenas hortas e tornaram esta actividade um elo de convivência social e entre gerações. De Évora vem o exemplo dos já muito requisitados "quitandeiros" que aos sábados e domingos vendem à porta do mercado os produtos que cultivam nas hortas que existem à volta da cidade.
Exemplos que remetem para a necessidade de repensar o papel destas iniciativas como elementos de inovação urbana dotando as cidades de espaços que enriqueçam a vida e a saúde de quem nelas habita.
Fontes de informação:
http://www.regiao-sul.pt
http://www.hortadaformiga.com
http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1357449

