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CRIANÇA SOBREVIVEU AO ABUTRE… FOTÓGRAFO SUCUMBIU À DOR.

04.06.11 | Mari Ortiz

O fotógrafo sucumbiu ao arrependimento e suicidou-se (por um consumo compulsivo de drogas). A opinião pública crucificou Kevin Carter, mas, 18 anos passados, sabe-se que a criança que parece prestar-se a servir de pasto ao abutre sobreviveu à fome e à guerra no Sudão.

 

 

Kevin Carter disparou, em 1993, no Sudão, a foto que lhe viria a custar a vida, paradoxalmente, eternizando o fotógrafo sul-africano na galeria dos maiores repórteres fotográficos de sempre (em 1994 viria a ganhar o prestigiado prêmio Pulitzer). Quando fotografou aquela cena, Kevin Carter terá visto, como quase toda a gente, na imagem de um abutre postado atrás de uma criança desnutrida, a metáfora perfeita para a fome que grassava, e matava, no Sudão.

Kevin Carter não suportou a glória de uma imagem que lhe recordaria a sua própria mortalidade, a sua própria face humana, que naquela tarde de 1993, se deixou dominar pelo brio profissional de capturar a imagem que melhor demonstrasse a tragédia que varria o Sudão. Conseguiu-o.

O Mundo viu, nessa foto, a morte e a fome, a morte pela fome. A opinião pública apressou-se a julgar e a condenar sumariamente a alegada frieza com que teria agido Kevin Carter, considerando que o fotógrafo poderia, e deveria, ter feito alguma coisa para salvar a criança. Kevin sentiu o mesmo e foi essa dor que o levou a por termo à própria vida, incapaz de suportar a ideia de não ter ajudado a salvar uma vida.

Entretanto, sabe-se agora, Kevin Carter não precisava de ajudar aquela criança, que estava a ser ajudada pela ONU. O jornal espanhol El Mundo esclareceu o fato, quando publicou a matéria…

A própria imagem ajuda a contar a história desconhecida, até agora, de Kong Nyong, a criança que escapou ao abutre e fintou a fome e a vida do fotógrafo.

Na mão direita da criança vê-se uma pulseira de plástico da ajuda alimentar da ONU. Ampliando a foto, pode ver-se inscrita a sigla "T3".

"Usavam-se duas letras: "T" para a malnutrição severa e "S" para os que só necessitavam de alimentação suplementar. O número indica a ordem de chegada ao centro alimentar", contou Florence Mourin, que coordenava os trabalhos naquela campo improvisado de ajuda alimentar.

Feita explicação, a história, embora dura, parece mais linear: Kong Nyong sofria de malnutrição severa, foi o terceiro a chegar ao centro e estava a receber ajuda. Sobreviveu à fome e evitou o abutre. Segundo o pai, morreu em 2006, jovem adulto, vítima "de febres", não de fome. Kevin Carter é que já não está cá para testemunhar esta descoberta dos repórteres do El Mundo.


Fonte: Jornal De Notícias   

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Media/Interior.aspx?content_id=1789058&page=-1


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